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terça-feira, 28 de junho de 2016

 Trapalhadas da SEE causam prejuízos a docentes e 

salas de leitura

A atual administração da Secretaria de Educação parece estar perdida entre a falta de um projeto educacional e as ordens do governo para reduzir despesas a qualquer custo. 

Não satisfeitos com a bagunça causada na vida de muitos agentes de organização escolar, obrigando-os a escolherem locais de trabalho pelos quais não optaram, os burocratas, desta vez, apontaram sua artilharia de incompetência e desorganização para os professores categoria F e O e para os readaptados, covardia administrativa com educadores de vínculos e condições de trabalho mais frágeis.
E, de quebra, mais uma vez atingiram as salas de leitura, ambiente que não consegue se firmar no currículo escolar em razão da concepção equivocada dos burocratas da pasta: o espaço curricular que deveria ter destaque no cenário educativo é visto pela burocracia como local para abrigar professores com poucas aulas e depósito para alunos em aulas vagas. 

Apesar das dificuldades impostas pela pauperização das condições de trabalho, os professores de categoria F e os readaptados vinham tocando o seu trabalho nas salas de leitura baseados em atribuições feitas conforme duas resoluções (70/2011 e 14/2016) da secretaria. 

No entanto, neste quase final de junho, talvez animados pelo excesso de festas juninas e com a garganta apertada pelo governo para reduzirem despesas, os burocratas da Coordenadoria Geral de Recursos Humanos (CGRH) soltaram um "boletim", com o pomposo nome de Boletim Informativo, sob o desconfiado número 13, em que obrigavam:
a) os professores da categoria F, regentes de trabalho em sala de leitura conforme atribuição orientada pela Resolução SEE 14/2016, a deixarem o posto e escolherem aulas vagas ou disponíveis regidas pelos docentes da categoria O;
b) o gestor escolar a atribuir os trabalhos docentes na sala de leitura aos professores readaptados. 

As consequências desse desastre administrativo foram imediatas: professores sem aula, tendo que se deslocar para outras escolas, outras diretorias e até outros municípios para recompor sua jornada docente e um festival de imposições nas escolas, com a equivocada interpretação de que esse espaço deveria ser preenchido por docentes readaptados, independentemente do seu laudo médico e do rol de atividades que limita sua atuação na escola. 

É possível imaginar, para quem conhece minimamente a dinâmica de uma escola e de uma rede de ensino, o transtorno que isso causou, o desconforto, a desumanidade e o desrespeito ao entendimento do que é uma sala de leitura. 
Não foi sem razão que, alegando terem ouvido sugestões das diretorias de ensino (surpresa, pois estes órgãos nunca se posicionam e apenas cumprem ordens superiores), suspenderam a desastrosa operação de desmanche e imposição de prejuízos à saúde profissional e emocional de centenas de docentes e à saúde curricular das salas de leitura. 

Algumas perguntas ficam no ar, depois de tantas idas e vindas: até quando a burocracia da SEE vai continuar se achando no direito de pôr e dispor sobre a vida profissional dos docentes? 
Até quando a máquina burocrática paquidérmica continuará legislando sem ouvir os interessados e sem efetivar o diálogo entre os órgãos de sua estrutura, atropelando resoluções por meros boletins? 
Até quando a burocracia da SEE vai continuar insistindo em desconhecer uma concepção mais atual de sala de leitura, voltada para a mediação da leitura e para a escolha do mediador com base no seu perfil e não no vínculo profissional? 

Docentes, educadores, gestores, educandos, comunidade... Ninguém aguenta mais tamanha falta de sensibilidade, de planejamento e de mesquinharia administrativa. 

Com a palavra o secretário estadual de Educação. 

*Carlos Giannazi é deputado estadual pelo PSOL e membro titular da Comissão de Educação e Cultura.
Fonte:Diário Oficial do Estado – Poder Legislativo – terça-feira, 28 de junho de 2016 –
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terça-feira, 17 de maio de 2016

Professor tem formação melhor na escola pública do que na particular


Professores da educação infantil e dos primeiros anos do fundamental da rede pública têm melhor formação teórica do que os das escolas privadas. (Foto: Reprodução)

Professores da educação infantil e dos primeiros anos do fundamental da rede pública têm melhor formação teórica do que os das escolas privadas. (Foto: Reprodução)

Os professores da educação infantil e dos primeiros anos do fundamental da rede pública têm melhor formação teórica do que os das escolas privadas.
Isso vale para duas métricas: percentual de docentes com ensino superior completo e com currículo adequado ao que a lei determina. Formação universitária apropriada para lecionar, porém, não é garantia de qualidade. O excesso de teoria nos cursos de pedagogia e licenciatura e a distância com a realidade podem prejudicar o ensino. Essas conclusões estão em um estudo coordenado por Fernando Abrucio, da Fundação Getulio Vargas. Em 2014, a fatia de professores do ensino infantil na rede pública com nível superior completo e formação em pedagogia era, respectivamente, de 80% e 50%. Nas escolas privadas, esses percentuais atingiram 65,6% e 32,8%, respectivamente. (Folhapress)
Fonte : http://www.osul.com.br/professor-tem-formacao-melhor-na-escola-publica-do-que-na-particular/

quarta-feira, 11 de maio de 2016

Justiça livra a aposentadoria de professor do fator previdenciário

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Rio – A Justiça Federal confirmou que professores do Ensino Fundamental não precisam se submeter às regras do fator previdenciário no cálculo da aposentadoria. A Turma Nacional de Uniformização (TNU) da Jurisprudência dos Juizados Especiais Federais, no Espírito Santo, determinou que os docentes têm esse direito por lei que trata do benefício especial (25 anos de contribuição para mulheres e 30 para homens). Com o fator, que leva em conta a expectativa de vida dos trabalhadores, o benefício têm perda de até 40% na hora.
Ao acolher pedido de revisão de uma professora, a TNU condenou o INSS a excluir o fator do cálculo do benefício. A docente também tem direito a receber os atrasados. De acordo com o relator do processo na TNU, juiz federal João Batista Lazzari, a Constituição garante aposentadoria ao professor com redução do tempo devido à especificidade da atividade profissional. O objetivo é protegê-los do desgaste físico e mental, livrando o pessoal de prejuízo à saúde.
Segundo especialistas, a decisão da TNU reforma a posição do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que já proferiu decisões favoráveis neste sentido.
A autora do processo analisado pela TNU chegou a perder a ação em instâncias inferiores. Ela reivindicava que o benefício teria que ser concedido baseado na média dos maiores salários de contribuição correspondente a 80% de todo o período recolhido ao INSS, mas sem a incidência do fator previdenciário.
Inicialmente, o pedido foi negado pela Seção Judiciária de Santa Catarina, que alegou que a aposentadoria de professor, mesmo com regras próprias, não deixava de ser um benefício por tempo de contribuição e deveria respeitar a regra do fator. A segurada recorreu e conseguiu a decisão favorável da TNU.

Fonte: http://www.saibaseusdireitos.org/

Ministro da Educação defende crescimento do piso salarial do professor


O ministro da Educação, Aloizio Mercadante, destacou, nesta terça-feira, 10, a importância de uma carreira sólida para o magistério, que passa pela valorização profissional e pelo aumento real do salário dos professores para uma educação de qualidade. Ele participou, em Brasília, do 1º Encontro Nacional dos Fóruns Permanentes de Educação – Direito à Educação para uma Sociedade Democrática.
“Se não continuar havendo um crescimento sustentável do piso salarial, nós não teremos qualidade da educação nesse país”, disse o ministro. “Sem carreira e sem salário é muito fácil falar em qualidade da educação; difícil é ir para a sala de aula e trabalhar 40 horas semanais ‘comendo’ pó de giz para receber um piso de R$ 2 mil.”


Organizado pelo Fórum Nacional de Educação (FNE), o encontro teve a participação das secretarias de educação dos 26 estados e do Distrito Federal e das 50 entidades que formam o fórum. Os debates abordaram as políticas de valorização profissional, o Plano Nacional de Educação (PNE), a Conferência Nacional de Educação (Conae) em 2018 e a Base Nacional Comum Curricular (BNC). Mercadante destacou que o Ministério da Educação lançou o Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica (Sinaeb), na semana passada.
Para o ministro, o Fórum Nacional de Educação (FNE) teve atuação fundamental na construção e na implementação do PNE e nos planos dos estados e municípios, bem como na construção da Base Comum Curricular, que está em fase de avaliação no Conselho Nacional de Educação (CNE).
Na solenidade, Mercadante assinou portaria que institui a Rede de Assistência Técnica dos Planos de Carreira e Remuneração, que tem como objetivo estabelecer o diálogo entre o MEC e as secretarias estaduais e municipais de educação para a cooperação técnica na criação e aprimoramentos dos planos de carreira dos professores.

Carta para a juventude de 1964 e a de hoje

11/05/2016 às 9:40, por Carina Vitral.
Presidenta da UNE publicou artigo hoje no jornal Folha de S. Paulo argumentando contra o golpe de Dilma Rousseff
O dia 1º de abril de 1964 ficou marcado pelo início da ditadura militar que mergulhou o Brasil no obscurantismo por duas décadas. O símbolo desse momento foi o incêndio da sede da UNE na praia do Flamengo, no Rio.
Apenas agora, 52 anos depois, a UNE está prestes a reinaugurar sua sede e espera, junto com ela, manter viva a memória da mocidade que entregou a vida à causa democrática em nosso país. Ninguém foi mais perseguido e torturado pela ditadura do que a mocidade que se levantou contra o golpe.
Os tempos são outros, é bem verdade. O Brasil é outro. A UNE também é outra. Nossa “mocidade” agora é mais jovem do que nunca. Mas, ainda hoje, temos a democracia em nosso DNA. Não existe causa mais importante para UNE do que a democracia. É ela que nos une.
É ela também que nos conecta com a mocidade de 64, que lamentava o destino do país, mas buscou coragem e força na esperança de um futuro democrático para enfrentar os dias de tormenta autoritária.
O pesadelo de um Estado de exceção não veio, como muitos querem fazer parecer, pelos coturnos dos militares, pelo menos em um primeiro momento.
O pesadelo foi gestado nos corredores do Congresso, em reuniões de bilionários, em capas de jornais, em protestos pacíficos contra a “corrupção e a ameaça comunista” e na construção de um clima político de ódio, favorável a um golpe de Estado.
A UNE é uma das poucas entidades que sobreviveram a todo esse período, mesmo que na clandestinidade, por se posicionar decisivamente contra o golpe. E por isso mesmo tem a obrigação histórica de se posicionar novamente em relação aos acontecimentos atuais.
Os estudantes foram parte fundamental na luta pelo impeachment do ex-presidente Fernando Collor. Sabemos bem que impeachment é um mecanismo constitucional que impede um presidente de continuar seu governo depois de cometer crime de responsabilidade, exatamente como ficou comprovado com Collor depois de uma longa CPI e um processo que lhe garantiu o mais amplo direito de defesa.
Temos a convicção de que seremos julgados um dia sobre nossa posição no conturbado ano de 2016, quando a juventude do futuro avaliar os dias de hoje sem as paixões e as simplificações que contaminam o ambiente político.
É nesse contexto que a UNE, a despeito das críticas faça ao governo da presidente Dilma Rousseff, em especial aos cortes na educação,defende a manutenção do Estado de Direito. Defende que o impeachment de uma presidente eleita sem a caracterização de crime de responsabilidade é casuísmo puro. É falta de compromisso com as regras democráticas. E, sem respeito às regras, estamos todos namorando o perigoso caminho do “vale-tudo”.
As universidades coloridas de esperança e diversidade, com todos os tons do povo brasileiro, são a prova de que uma possível derrota, mesmo que amarga, continuará tendo feito toda a luta valer a pena. Das ruas tomadas por homens que lutam e sonham nascerá o novo. A resistência democrática deve ser a chave para o para o futuro, não para o passado.
Fonte :http://www.une.org.br/noticias/carta-para-a-juventude-de-1964-e-a-de-hoje/

Estudantes conseguem todas as assinaturas para a CPI da Merenda

Após ocuparem a Assembleia Legislativa em São Paulo na semana passada, os secundaristas conseguiram todas as 32 assinaturas necessárias para que a CPI da Merenda seja aberta na Alesp.

Em mais um dia de manifestações, movimentos estudantis confirmaram mais uma conquista: todas as assinaturas necessárias para a abertura de uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) sobre a Máfia da Merenda foram recolhidas.
A vitória ocorre após uma ocupação ocorrer na Alesp (Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo) na semana passada, quando secundaristas invadiram e ocuparam o plenário e galeria.
Com a opinião pública a favor, era inevitável a pressão contra o governador Geraldo Alckmin (PSDB) e o presidente da Casa, o deputado Fernando Capez (PSDB), principal investigado na chamada Máfia da Merenda.
Porém, segundo o deputado estadual Alencar (PT), não é “a mesma CPI”. “A base do Alckmin apresentou novo pedido, ou seja, não é o pedido da oposição”, disse o deputado em entrevista ao Democratize.
“Estão dando um golpe para terem o controle da CPI e também incluíram os municípios na investigação”, denunciou o deputado, que afirmou que o objetivo é “tirar o governo do estado do foco central da investigação”.
Foto: Felipe Malavasi/Democratize
A decisão coincide com mais uma manifestação secundarista em São Paulo, ocorrida na manhã desta terça-feira (10) na região do centro da cidade. Centenas de estudantes ocuparam as ruas exigindo uma alimentação adequada nas ETECs e escolas estaduais.
Até o último levantamento feito pelo Democratize, eram mais de 20 escolas ocupadas ao redor do estado — com foco nas ETECs e na região metropolitana e capital.
Em sua última coletiva, o deputado Fernando Capez já havia afirmado ser “favorável” a abertura de uma CPI da Merenda na Alesp.
Porém, segundo ele, a abertura de uma CPI não ocorreria por conta da ocupação na Alesp e nas demais escolas estaduais, e sim por causa de “reuniões que já haviam ocorrido anteriormente” entre os deputados e lideranças políticas.
O deputado estadual Carlos Giannazi, do PSOL, denunciou recentemente o modo como os partidos da base do governo Alckmin tem tratado a questão da Máfia da Merenda na Casa:
“Na reunião desta terça-feira (dia 10) da Comissão de Educação e Cultura da ALESP, na qual estava acordado o depoimento do ex-chefe de gabinete da Casa Civil do governador Alckmin, Luiz Roberto dos Santos, o ‘Moita’, para explicações sobre as denúncias que pesam sobre ele a respeito de desvios de verbas da merenda da rede estadual de ensino, houve uma evasão dos deputados da base de apoio ao Palácio dos Bandeirantes, que não compareceram, o que levou ao encerramento dos trabalhos logo que abriram (só havia 5 deputados membros efetivos da CEC — 3 da oposição e 2 da situação — para um total de 11, e o quórum mínimo era de 6).”
A presidente da UBES, Camila Lanes, que esteve presente na ocupação da Alesp na semana passada, celebrou a vitória parcial dos estudantes sobre a CPI.
Em conversa com o Democratize, Camila diz que “por mais que a conjuntura e a maneira como foi feita a abertura da CPI não seja da forma como queremos, isso só demonstra cada vez mais que devemos continuar com uma mobilização permanente sobre tudo o que acontece no Brasil e em São Paulo”. A líder estudantil ainda lembrou que a Alesp é formada por uma ampla maioria governista que tem feito o possível para driblar a abertura de uma investigação na Casa sobre a Máfia da Merenda.
Para Emerson Santos, da UPES, trata-se de uma vitória: “O alvo do objeto de investigação da CPI do suco a limitava apenas nos contratos (da COAF), e com esta nova CPI o objeto de estudo passa a ser a partir do fornecimento”.
Já para Flávia da UEE o que vale é o resultado da mobilização após a ocupação feita na Alesp. “Agora temos uma CPI ampla. É objeto da CPI os agentes públicos, prefeituras e governo do estado. Uma vitória dos movimentos sociais”, disse ao Democratize.
Fonte:https://medium.com/democratize-m%C3%ADdia/estudantes-conseguem-todas-as-assinaturas-para-a-cpi-da-merenda-4a38de7e92df#.2wkgybqir

quarta-feira, 20 de abril de 2016

Como construir caminhos para a educação em meio ao impeachment
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Maria Alice Setubal

Passada a votação do último domingo (17) sobre a abertura do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff, a sociedade brasileira tem agora um longo caminho pela frente. Precisamos reconstruir pontes que favoreçam um diálogo efetivo para a saída da crise, tanto econômica como política. Mas neste percurso o que acontece com nossa educação?

Dada a emergência da crise econômica que paralisou o país, aumentando o desemprego de forma avassaladora, diferentes economistas apontam saídas para o ajuste fiscal. Já do lado governista, a ênfase fica na manutenção de programas como o Bolsa Família e o Minha Casa Minha Vida, ao lado do aumento da oferta de crédito.
Infelizmente, a educação tem sido esquecida por ambos os lados. Assim, fica mais uma vez para trás não só o futuro do Brasil, mas o próprio presente, com suas escolas e alunos. Ajustes de qualquer ordem poderão destravar a economia, mas não trarão mais produtividade ou impulsionarão as inovações consistentes que o mundo global exige. Sem falar, é claro, dos direitos e da importância de construirmos uma cidadania apta a debater de forma mais qualificada sua participação na sociedade. Para isso, precisamos de uma melhor educação.
Os diferentes agentes da educação (como escolas, universidades e organizações da sociedade civil) têm alcançado nos últimos anos consensos em torno de importantes programas ou metas, mesmo tendo posições ideológicas distintas entre si. Esse é o caso do Plano Nacional de Educação, que oferece um mapa que norteia as ações de todas as instâncias com relação à educação, e também é o caso atual da Base Nacional Comum Curricular.
A vontade e a motivação das pessoas para participarem do momento político atual devem ser potencializadas para que não deixemos escapar de nossas mãos a luta pela melhoria da qualidade da educação brasileira.
Em tempos de cortes de orçamento, a sociedade civil pode pressionar seus governantes, exigindo mais transparência e melhor uso dos recursos públicos. É importante também que façamos as seguintes questões: afinal como é gasto o dinheiro destinado à educação básica? Que resultados foram alcançados? Como está a avaliação do Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica)? E a infraestrutura das escolas? E a educação infantil, todas as crianças estão matriculadas? Os jovens estão cursando o ensino médio? São oferecidas a eles oportunidades de formação técnica? E o Enem? E os professores, estão recebendo o piso? Têm condições de trabalho e respondem pelos resultados?
Tendo o Plano Nacional de Educação como referência, a implementação do Sistema Nacional de Educação poderá ser um caminho para uma educação de qualidade em todo o Brasil. Contudo, precisamos tornar a gestão dos diferentes estados mais efetiva no alcance da qualidade para todos, contribuindo muito para um melhor uso dos recursos.
Finalmente, é necessário destacar a importância da implementação da Base Comum, que garantirá que todos os alunos do país tenham acesso ao mesmo conteúdo ao longo da educação básica. Para que governos e sociedade se mobilizem pela importância do conhecimento, um caminho pode ser investir em eventos como festivais e feiras de literatura, ciências e matemática, gincanas, concursos e prêmios voltados à educação.
Vale repetir a importância de superarmos a cultura dos diplomas. Afinal, o que realmente faz a diferença na vida das pessoas e do país é a apropriação de conhecimentos que abram as portas da participação cidadã qualificada e de melhores condições de trabalho e de vida. Trata- se da ampliação de referências culturais que possibilitarão novos vínculos entre as pessoas e o conhecimento e com as diferentes instituições que organizam a vida social.
Chavão do senso comum é falar que crises podem se reverter em oportunidade. Pois agora estamos diante dessa possibilidade. Resta saber se realmente conseguiremos amadurecer com todo esse doloroso processo que estamos vivendo.
fonte:http://educacao.uol.com.br/colunas/maria-alice-setubal/2016/04/19/como-construir-caminhos-para-a-educacao-em-meio-ao-impeachment.htm

MARIA ALICE SETUBAL

Maria Alice Setubal, a Neca Setubal, é socióloga e educadora. Doutora em psicologia da educação, preside os conselhos do Cenpec e da Fundação Tide Setubal e pesquisa educação, desigualdades e territórios vulneráveis

domingo, 17 de abril de 2016

SUSPEITA DE FRAUDE : ÚLTIMA PROVA DO SARESP FOI VISIVELMENTE MAIS FÁCIL !

SP: SARESP sob suspeita

É voz corrente dentro da rede estadual de ensino de São Paulo que algo ocorreu com a última edição do SARESP (Sistema de Avaliação de Rendimento do Estados de São Paulo)motivando a elevação das médias da rede. Na opinião de professores e alunos que participaram da prova, ela foi visivelmente mais fácil do que nos anos anteriores. Comprovada esta situação, teremos no mínimo um descuido, no máximo uma fraude.
Circulam ainda algumas explicações técnicas sobre uma possível “calibração” da prova para um patamar de menor exigência. A fase de calibração dos itens garante os parâmetros de qualidade de cada ítem. A fase de “equalização” garante que os itens das provas aos longo do tempo, sejam colocados em uma mesma escala, permitindo a comparação entre as aplicações feitas a cada ano.
O processo de calibração dos itens exige que se pré-teste cada item elaborado quanto à sua capacidade de discriminação, resposta ao acaso e dificuldade, na dependência do modelo de teoria da resposta ao item que se esteja usando. Todo este processo é documentado durante a fase de pré-teste com uma população de no mínimo 300 alunos, antes de ser aplicado a toda uma rede. A Secretaria tem conhecimento, portanto, do nível de dificuldade da prova.
No entanto, como se sabe, não há transparência da elaboração do processo de avaliação na rede estadual de São Paulo, o qual é entregue a empresas terceirizadas de avaliação. As bases de dados não estão disponíveis em formato de microdados que permita recálculo por pesquisadores independentes e, além disso, não há relatório técnico público do processo de montagem das provas e da pré-testagem.
Para se verificar a hipótese de rebaixamento de exigências na prova, seria necessário acessar o comportamento dos itens da prova na pré-testagem do ano de 2015 e anos anteriores que contivessem resultados dos pré-testes contrastados com os resultados finais obtidos nas provas reais, bem como acesso aos índices de discriminação e dificuldade dos itens que compuseram as provas nas suas últimas edições. Nada disso está disponível.
Não seria a primeira vez que teríamos uma situação como esta. Anos atrás, na Cidade de Nova York, Joel Klein, então Secretário da Educação, promoveu um rebaixamento das exigências nos exames da cidade para incentivar a percepção de melhoria na rede e acessar verbas federais. Lá, diferentemente, pode-se constatar o processo de facilitação. Klein perdeu o cargo.
Também aprendemos da experiência americana, o inverso. Quando se trata de acelerar os processos de privatização, as provas podem ser tornadas mais difíceis com o objetivo de culpar professores e escolas pelo fracasso dos estudantes e justificar processos de terceirização.
As provas do SARESP de 2015 e seus resultados estão, portanto, sob suspeita. E esta suspeita somente poderá ser afastada se a Secretaria de Educação constituir uma equipe de pesquisadores composta por profissionais da empresa terceirizada que elaborou os testes e também por profissionais independentes, para emitir um laudo final. Até lá, persistirá a dúvida.
É urgente que o Ministério Público seja acionado para garantir a transparência da qualidade das avaliações no Estado e que a Secretaria de Educação passe a abrir as bases de dados da série de avaliações do SARESP (bem como de seus relatórios técnicos de elaboração, composição das provas e pré-testagem), para serem baixadas e trabalhadas por pesquisadores independentes, na forma de microdados e não apenas em formato de dados agregados pela média das escolas, ou pelo IDESP.
fonte :https://avaliacaoeducacional.com/2016/04/14/sp-saresp-sob-suspeita/

Escritores pedem renúncia de secretário da Educação de São Paulo

Jornal GGN – Depois que o secretário da Educação do Estado de S. Paulo, José Rento Nalini, publicou um artigo dizendo que proliferam direitos fundamentais e que a população exige do Estado coisas que ele não pode dar, a União Brasileira de Escritores (UBE) enviou uma nota de repúdio, exigindo que ele renuncie do cargo.
Para eles, a postura de Nalini é anticonstitucional e o discurso pretende tirar do Estdo a missão elementar e básica de prover educação. “Ao subscrever tamanho disparate, para além de propor o desrespeito à Lei Maior do País e aos milhões de estudantes da Rede Pública do Estado de São Paulo, o secretário Nalini mostrou-se fundamentalmente inapto ao exercício de suas funções”, diz o manifesto.
Da União Brasileira de Escritores (UBE)
Nota
A União Brasileira de Escritores (UBE) repudia a assertiva de José Renato Nalini, secretário da Educação do Estado de São Paulo, em artigo  publicado na página da Secretaria Estadual de Educação intitulado “A sociedade órfã”, no sentido da exclusão da educação como missão elementar e básica do Estado, em contrariedade ao disposto na Constituição da República Federativa do Brasil, em seus artigos 6 e 205 a 214.
Ao subscrever tamanho disparate, para além de propor o desrespeito à Lei Maior do País e aos milhões de estudantes da Rede Pública do Estado de São Paulo, o secretário Nalini mostrou-se fundamentalmente inapto ao exercício de suas funções, pelo que a UBE o conclama a renunciar ao respectivo cargo.
São Paulo, 14 de abril de 2016.
União Brasileira de Escritores – UBE
Durval de Noronha Goyos Junior – Presidente da Diretoria
Levi Bucalem Ferrari – Presidente do Conselho
Fonte:http://jornalggn.com.br/noticia/escritores-pedem-renuncia-de-secretario-da-educacao-de-sao-paulo#.VxFJlbAtlDI.facebook
OBS : Artigo Publicado neste blog : A sociedade órfã
http://www.educacao.sp.gov.br/noticias/a-sociedade-orfa
Por José Renato Nalini




Edgar Morin: é preciso educar os educadores


O Globo: Na sua opinião, como seria o modelo ideal de educação?
Edgar Morin: A figura do professor é determinante para a consolidação de um modelo “ideal" de educação. Através da Internet, os alunos podem ter acesso a todo o tipo de conhecimento sem a presença de um professor.
 Então eu pergunto, o que faz necessária a presença de um professor? Ele deve ser o regente da orquestra, observar o fluxo desses conhecimentos e elucidar as dúvidas dos alunos. Por exemplo, quando um professor passa uma lição a um aluno, que vai buscar uma resposta na Internet, ele deve posteriormente corrigir os erros cometidos, criticar o conteúdo pesquisado.

É preciso desenvolver o senso crítico dos alunos. O papel do professor precisa passar por uma transformação, já que a criança não aprende apenas com os amigos, a família, a escola. Outro ponto importante: é necessário criar meios de transmissão do conhecimento a serviço da curiosidade dos alunos. O modelo de educação, sobretudo, não pode ignorar a curiosidade das crianças.
O Globo: Quais são os maiores problemas do modelo de ensino atual?
Edgar Morin: O modelo de ensino que foi instituído nos países ocidentais é aquele que separa os conhecimentos artificialmente através das disciplinas. E não é o que vemos na natureza. No caso de animais e vegetais, vamos notar que todos os conhecimentos são interligados. E a escola não ensina o que é o conhecimento, ele é apenas transmitido pelos educadores, o que é um reducionismo. O conhecimento complexo evita o erro, que é cometido, por exemplo, quando um aluno escolhe mal a sua carreira. Por isso eu digo que a educação precisa fornecer subsídios ao ser humano, que precisa lutar contra o erro e a ilusão.

O Globo: O senhor pode explicar melhor esse conceito de conhecimento?
Edgar Morin: Vamos pensar em um conhecimento mais simples, a nossa percepção visual. Eu vejo as pessoas que estão comigo, essa visão é uma percepção da realidade, que é uma tradução de todos os estímulos que chegam à nossa retina. Por que essa visão é uma fotografia? As pessoas que estão longe são pequenas, e vice-versa. E essa visão é reconstruída de forma a reconhecermos essa alteração da realidade, já que todas as pessoas apresentam um tamanho similar.

Todo conhecimento é uma tradução, que é seguido de uma reconstrução, e ambos os processos oferecem o risco do erro. Existe outro ponto vital que não é abordado pelo ensino: a compreensão humana. O grande problema da humanidade é que todos nós somos idênticos e diferentes, e precisamos lidar com essas duas ideias que não são compatíveis. A crise no ensino surge por conta da ausência dessas matérias que são importantes ao viver. Ensinamos apenas o aluno a ser um indivíduo adaptado à sociedade, mas ele também precisa se adaptar aos fatos e a si mesmo.

O Globo: O que é a transdisciplinaridade, que defende a unidade do conhecimento?
Edgar Morin: As disciplinas fechadas impedem a compreensão dos problemas do mundo. A transdisciplinaridade, na minha opinião, é o que possibilita, através das disciplinas, a transmissão de uma visão de mundo mais complexa. O meu livro “O homem e a morte" é tipicamente transdisciplinar, pois busco entender as diferentes reações humanas diante da morte através dos conhecimentos da pré-história, da psicologia, da religião. Eu precisei fazer uma viagem por todas as doenças sociais e humanas, e recorri aos saberes de áreas do conhecimento, como psicanálise e biologia.

O Globo: Como a associação entre a razão e a afetividade pode ser aplicada no sistema educacional?
Edgar Morin: É preciso estabelecer um jogo dialético entre razão e emoção. Descobriu-se que a razão pura não existe. Um matemático precisa ter paixão pela matemática. Não podemos abandonar a razão, o sentimento deve ser submetido a um controle racional. O economista, muitas vezes, só trabalha através do cálculo, que é um complemento cego ao sentimento humano. Ao não levar em consideração as emoções dos seres humanos, um economista opera apenas cálculos cegos. Essa postura explica em boa parte a crise econômica que a Europa está vivendo atualmente.

O Globo: A literatura e as artes deveriam ocupar mais espaço no currículo das escolas? Por quê?
Edgar Morin: Para se conhecer o ser humano, é preciso estudar áreas do conhecimento como as ciências sociais, a biologia, a psicologia. Mas a literatura e as artes também são um meio de conhecimento. Os romances retratam o indivíduo na sociedade, seja por meio de Balzac ou Dostoiévski, e transmitem conhecimentos sobre sentimentos, paixões e contradições humanas. A poesia é também importante, nos ajuda a reconhecer e a viver a qualidade poética da vida. As grandes obras de arte, como a música de Beethoven, desenvolvem em nós um sentimento vital, que é a emoção estética, que nos possibilita reconhecer a beleza, a bondade e a harmonia. Literatura e artes não podem ser tratadas no currículo escolar como conhecimento secundário.

O Globo: Qual a sua opinião sobre o sistema brasileiro de ensino?
Edgar Morin: O Brasil é um país extremamente aberto a minhas ideias pedagógicas. Mas, a revolução do seu sistema educacional vai passar pela reforma na formação dos seus educadores. É preciso educar os educadores. Os professores precisam sair de suas disciplinas para dialogar com outros campos de conhecimento. E essa evolução ainda não aconteceu. O professor possui uma missão social, e tanto a opinião pública como o cidadão precisam ter a consciência dessa missão. [Leia esta entrevista no site do O Globo]

Assista a Edgar Morin - Os limites do conhecimento na globalização | No vídeo exclusivo, Morin reflete sobre seus interesses enquanto filósofo e sociólogo: os limites do conhecimento e da razão, bem como a relação entre a poesia e a racionalidade. Ainda, questiona a possibilidade da mudança de pensamento em um mundo globalizado e acelerado. É possível sairmos de uma visão fechada em formas particulares para o pensamento complexo, capaz de ver os problemas em sua integralidade?
http://www.fronteiras.com/entrevistas/entrevista-edgar-morin-e-preciso-educar-os-educadores